terça-feira, 16 de setembro de 2014

Dona Beleza


Dona Beleza

A teoria dos livros
Que fala a língua dos acadamicês
Mas os micês, vós micês
Não foram capazes, ou não quiseram, ou não visitaram
Quero dizer por que não contam a verdade
Porque ela não está, nos visita, na vista
Quando a minha vista viu aquela igreja
Que sensação estranha
Não conhecida por mim
Não era amor
Não era espanto
Era beleza ...
Aí foi então que entendi
Que não estavámos sozinhos
Ela surgiu sem tocar o chão
Com seu vestido translúcido
E nos olhou nos olhos
No seu colar havia a letra C
C, o que seria?
Compaixão?
Ela disse, não!
E susurrou devagar ...
C O M P A N H E I R A
Eu repeti dentro de mim
Companheira
Era ela a guardiã
Nossa primeira companheira de viagem
A Beleza
Dona Beleza sorriu
E eu entendo assim:
- Vai pequena, chegou a hora do banquete!
Depois no alto daquele morro
Protegendo a grande casa que fica no céu
Estavam eles, imóveis, presos dentro da pedra
Dizem que voltamos para a terra depois da morte ...
Mas alguns voltam para a pedra
A pedra  fria, é a dos seus corpos frios, sem vida ...
Mas isso não é triste
Já que em seus olhos ainda resta um pouco de alma, que tudo ainda olha
Lá havia doze, que nos livros viraram catorze, mas juntos formam um
O grande escolhido
Se fez presente, como Jesus
No corpo de um sofrido moribundo que estendia as mãos, aos pés dos profetas
Humildemente ele apareceu
Aleijadinho sorria para mim, ao lado do outro mestre ... Ataíde
Os amigos estavam ali apenas para uma visita, assim como nós
Fingi que não os vi,
Era o segundo e o terceiro companheiro de viagem que ali se apresentavam
Tive vergonha, o que fazer?
Não fiz nada
Apenas suspirei
E sentados naquela igreja, escutei:
- Ele perdeu partes do seu corpo, todos falam ... mas é mentira, na verdade, foi ele que deu partes de seu corpo para as esculturas
Faz sentido, pensei
Porque olhando sua arte, conseguimos ver os pedaços
De unha
De dedo
 Dos olhos
Do coração
Outra voz disse:
- Os desenhos, as pinturas,
Homenageiam os amigos
Os inimigos
E os esquecidos
As cores, as dimensões, são apenas um detalhe
Parte de meus olhos e do coração
Ficaram lá
Não quiseram voltar comigo ...
Pedi então a ela
Dona Beleza, irmã mais velha dos dois amigos que tomassem conta deles por mim
E ela me disse que sim!
E o escultor  me sorriu 
E lá dentro de mim
Pensei:
Assim como você, também deixo partes minhas

07/01/2014
São João Del Rei / Congonhas
Minas Gerais












Todas as fotos são de autoria de Juliana Thaís de Moraes e Leonardo Cassanho Forster

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