sábado, 11 de março de 2017

Helena


Lendo o envelope que chegou em casa "agradecemos por ter doado sangue em nosso hospital (...)"
E assim sem querer...
Senti o gosto da sua sopa de feijão na minha boca,
Me lembrei das suas mãos e das unhas pink,
Do seu cabelinho curto colocado sempre de lado,
Da sua saia até o joelho,
Dos seus pés inchados,
Do "come mais, eu não vi você comer",
Das suas histórias da época da vila,
Das histórias de quando morou em São Paulo e sabia andar de bonde por toda a cidade,
Das minhas perguntas de criança "Vó, doi ter filho? Resposta: "Vixi!"
Me lembrei dos presentes:
da roupa de lambada,
da Barbie,
do bolo de chocolate,
do terço,
do pano de prato,
 do jogo de lençol,
do doce de mamão...
Do "Vó, posso deitar na sua cama?"
Dos seus conselhos nada ortodoxos: "casa com homem rico"
E eu desobedeci, me casando com um professor...
Do "Ela é biscate, eu sei!"
Das suas risadas olhando para o chão e colocando a mão na boca,
E por fim, das nossas últimas conversas... "Que Deus te abençoe, felicidades viu, cuida dos seus pais".
Na cama da UTI, você me olhando sem poder falar... eu dizendo... "vai ficar tudo bem, vó, fica tranquila, eu te amo"
Você apertou minha mão bem forte e eu nunca vou esquecer disto.
Vó Lena!
A saudade,
A vontade de ainda pegar o telefone e te ligar é uma reverência, uma forma de gratidão sempre!!!

fevereiro de 2015




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