domingo, 23 de abril de 2017

13 Reasons Why: Reflexões e Realidade



   Já faz uma semana que terminei de assistir à série 13 Reasons Why. Acreditei que no dia seguinte ia conseguir escrever, mas não, não consegui.
     Fiquei pensando milhares de coisas sobre a série, tentando fazer uma linha de raciocínio. E hoje, pensando novamente a respeito, cheguei à conclusão de que, se a série pega pela emoção, é por aí que devo caminhar. Então, não estranhe se o meu texto não tiver a mesma linha cronológica que os episódios, vou puxar e repuxar como fazemos com um estilingue, e espero que a minha mira atinja o coração de  você aí que se propôs a ler este texto.
      Em 2003, eu estava no segundo ano da faculdade de Serviço Social quando a minha turma ganhou uma aluna nova; eu não me lembro do nome dela, só me recordo de como ela era linda, negra, alta, com tranças no cabelo e andava de salto divinamente. Vim a descobrir depois que era passista de escola de samba há muitos anos (I love passistas). 
     Ela ficou um certo tempo no curso e depois acredito que foi para a turma do noturno. Um dia a gente estava conversando, e ela me falou sobre o irmão. Primeiro, de um jeito muito amável, depois, com muito ódio. Ela me contou que ele tinha se suicidado dentro de casa, me descreveu a cena, uma situação realmente muito triste... 
     Ela me disse: "Eu odeio o meu irmão, ele acabou com a minha família, meus pais nunca mais foram os mesmos."
    Eu questionei: "Mas por que ele se matou?"
     Ela me disse que não sabia, ele não tinha deixado nada escrito.
    Novamente questionei: "Ele tinha algum problema, algum trauma?"
    E ela me disse que não, que ele tinha amigos, um bom emprego, era bem-humorado, enfim... por mais que eles pensassem, não conseguiram descobrir nada, nenhum motivo. 
    Me lembrei dela esta semana, das expressões de seu rosto enquanto me contava essa história. Eu juro que pensei: "E se ela pudesse descobrir o que aconteceu com o irmão? E se houvesse um jeito, como em 13 Reasons Why?"
    E, sim, nesse momento acendeu uma luzinha na minha cabeça! É isso! Essa série nos prende porque você se torna expectador do que levou uma garota a se matar, existe essa oportunidade, enquanto que, para a grande parte das histórias de suicídio, não temos acesso ao que levou às vias de fato, não entendemos e, por isso, a nossa tendência é julgar.
     Há umas duas semanas, alguns amigos começaram a relatar que estavam assistindo à série e ficando muito mal, cada um por um motivo diferente. Por trabalhar há algum tempo com o tema suicídio, no mesmo dia outras pessoas me procuraram e me preguntavam o que eu tinha achado, algumas foram até mais específicas: "Eu devo assistir? O que você acha?"
    Bom, como eu não tinha assistido à série, comecei a reproduzir o pouco que tinha lido: "Olha, toma cuidado, como você está atualmente? Algumas cenas podem ser gatilhos; se você passou por algo parecido, não assista sozinho."
     Confesso que, quando soube da cena do suicídio, fiquei com muita raiva com tamanha irresponsabilidade da série (explico melhor daqui a pouco). Apesar de tudo - temia os meus próprios gatilhos -, decidi assistir, eu trabalho com isso, era meu "dever".
     Bom, toda aquela minha resistência inicial à série vinha de achar que ela faria mais mal do que bem, principalmente para os adolescentes e por tudo o que eu tinha lido a respeito. Ainda bem que a vi e consegui formular a minha opinião; e não tenho vergonha de admitir que mudei de ponto de vista. Como boa libriana, coloquei na balança os prós e os contras, e hoje eu afirmo: Sim! Assista à série.
       Quando eu terminei, me lembro de ter dito ao Leo (meu marido): "São todos crianças, muito novinhos e lidando com coisas tão pesadas".
     Não se ofenda se você tiver 17 anos e ler isso, não é criança no sentido infantil, é no sentido de falta de experiência de vida. 
    Do lado de cá, eu com meus 33 anos, me lamentei de ver como a adolescência é e continua a ser um período tão trevoso. Me lembrei de tantas coisas que aconteceram com amigos meus e que eu não ajudei. Penso que quando era adolescente - nos anos 90 - aconteceram coisas iguais, mas tinha um porém, não havia a internet, que existe hoje, não havia google, youtube, facebook, instagram, nem mesmo o orkut existia, o auge era você ter um e-mail e frequentar salas de bate-papo (se a sua internet discada fosse boa). Acredito que ser adolescente hoje é bem mais pesado que na minha época, porque, mudando de escola, na maioria das vezes, o "problema" terminava.
      Vi muitas pessoas na internet julgando os personagens, eu mesma fiz o mesmo, particularmente no estupro da Jéssica: "Hannah, sai da porra desse armário; Hannah pula em cima dele; Hannah grita... Pelo amor de Deus!! Não acredito que você deixou isso acontecer".
     Cinco minutos depois, disse para o Leo: "Acho que teria feito o mesmo que ela."
     A Ju que pensou tudo isso enquanto assistia à cena é a Ju de 33 e não a Ju de 17. Com 17 anos talvez também eu ficasse paralisada, sem reação. 
    Entende quando digo que são todos "crianças" (ou podemos usar o termo "jovens adultos")?
     A grande verdade é que só aprendemos a reagir depois que alguma situação se repete várias vezes na nossa vida, quando alguém que já passou por isso nos orienta: "Olha isso é errado, não é justo."
     Temos um agravante também, pessoas que sofrem violências graves podem literalmente paralisar e até se visualizar fora do corpo, de tão insuportável que é a realidade.
        Na minha época diziam "Cu de bêbado não tem dono". Tem dono sim! Pode ser homem ou mulher.
    Esse dito popular nasceu de onde? 
    Pensem um minuto, a nojeira que é essa pequena frase e que ano após ano é uma piada; será que é piada mesmo ou é a "verdade" que muitos agressores reproduzem, porque se refere ao que fazem constantemente?
     Vamos então a uma expressão corriqueira contida nas palavras de Bryce: "ela estava pedindo".
     A velha discussão retorna e sempre retornará: a culpa é da vítima.
     Você, que assistiu à serie, admita que quando Hannah entrou na festa na casa de Bryce o seu pensamento foi: "Por que ela está aí? Hannah, vai embora, sua louca; Hannah, não entra na jacuzzi".
     Eu admito que pensei! 
     Muitos agressores, principalmente jovens, acreditam que "ela está pedindo", e justificam: "com essa roupa curta: tá doida pra dar".
    Bryce diz que Clay não entende nada de mulheres porque é virgem. É mais uma desculpa para homens que usam e abusam da própria força para ter satisfação sexual... 
    Me lembro de meu espanto quando uma advogada veio à minha turma de Serviço Social falar sobre violência contra a mulher, ela indagou: "Se uma mulher estiver nua na cama de um homem é estupro?"
     Resposta: "Se em algum momento e por algum motivo, ela disser NÃO, e o parceiro continuar, é estupro sim".
    Me lembro do embrulho no estômago que saí daquela palestra, muitos estupros acontecem dentro de casa e o agressor é o próprio marido.
     Pensando friamente, achei fantástico o jeito que Bryce, o agressor, foi feito na série: bonito, simpático, agradável, ajuda os amigos; quem iria desconfiar do Bryce, não é mesmo? 
    Os agressores, em sua maioria, se escondem atrás dessa persona. Conheço casos de meninas que foram violentadas pelos namorados - aquele namorado fofo. Um caso de uma mulher que foi violentada pelo melhor amigo - aquele de muitos anos. 
     Infelizmente, o que acontece na série é mais comum do que imaginamos, seja entre adolescentes ou mulheres.
       Sobre o Justin, que polêmico! Sim, ele deixou a namorada ser estuprada. Bryce disse: "O que é seu é meu".
    Fiquei pensando nesse mundo masculino, de parceiragem, camaradagem; até que ponto é o limite?
    Quando Marcus (aquele cara de quem você também não desconfiou) abusa de Hannah em um local público, ninguém a defende, ninguém pergunta o que aconteceu, os amigos sabem, o Zach ainda fica com um peso na consciência, mas não sabe lidar com a situação. 
     Voltando para o Justin, quando explica para a Jéssica o inexplicável, os motivos que o levaram a deixar que acontecesse o estupro, ele diz a ela que quando Bryce o jogou no chão, ele sentiu como a criança que era agredida pelos namorados da mãe e ficava sem nenhuma condição de reagir. Cá entre nós, o Bryce exercia quase uma função paterna na vida de Justin. Ele era tão amigo, não é mesmo?
    Uma das características de alguns agressores é realmente causar essa confusão: "ele é uma pessoa boa". Até quando os homens vão permitir a violência contra as mulheres? ou mulheres também permitirão que tal violência ocorra?
     Quando trabalhava como assistente social, eu já vi e ouvi cada história... Dou graças aos deuses que de uns três anos pra cá a questão sobre o assédio esteja sendo tão escancarada. Quando falamos de assédio, estamos ensinando garotas e garotos, homens e mulheres a reagir. Adolescentes não são ensinados a reagir, portanto não se pode julgar Hannah nem mesmo Justin de um jeito tão feroz.
      Uma outra coisa que veio em mente: essa série deveria ser assistida por todos os diretores, coordenadores, professores de escolas. Fica claro, como essa instituição não é preparada para lidar com questões de violência  - e olha que a escola da série é bem mais prafrentex do que as nossas escolas no Brasil. O objetivo de muitas escolas hoje se resume quase que na seguinte frase: temos que treiná-los a desempenhar o máximo no ENEM e no vestibular.
     E no vestibular da vida, quem orienta?
     Sabemos que os pais têm uma função essencial nesse papel, mas e a função educadora da escola, ainda existe?
    Os conflitos escolares são um aperitivo para a nossa vida adulta; se a escola não consegue lidar com isso (e muitas não querem mesmo), olhamos para a nossa sociedade e encontramos a mesma coisa.
     As nossas leis nos protegem? As leis são cumpridas?
    Uma cena reveladora para mim foi quando a mãe de Hannah foi ao banheiro da escola e fica impressionada com a quantidade de frases agressivas escritas na parede, e confronta os responsáveis pela escola. A decisão então foi apagar tudo, pintar as paredes do banheiro, ou seja, apagar as provas do crime.
     Podemos até pensar "isso é tão comum". Concordo com você, na nossa sociedade é tão comum a violência que paredes com frases ofensivas não significam mais nada, vivemos uma completa banalização da violência. 
   Quando se fala sobre Bullying, se ouve tanto: "Isso aconteceu comigo, na minha época era a mesma coisa, isso passa". 
     Percebe que, com frases desse tipo, estamos permitindo que a violência ocorra geração após geração? Não se ensina outro tipo de comportamento, e pior, se reproduzimos esse tipo de pensamento, somos igualmente agressores!
    Um adolescente que está no primeiro ano do ensino médio ou no sexto ano do ensino fundamental e ouve que "uma hora isso passa", "a escola daqui a pouco termina", pode ter certeza de que, além de não se sentir ajudado (afinal de contas ele precisa ir à escola todos os dias), ele nunca mais terá a confiança para contar sobre seus problemas, pois estes serão sempre minimizados.
      Tem gente que começou a assistir à série e não achou nada de mais. Nos primeiros episódios, Bryce publica uma foto das partes íntimas de Hannah contidas no celular de Justin para o pessoal da escola: isso não é nada de mais? Quando falei da banalização, é isso que quero dizer, não se enxerga  mais a violência, apesar de estar ali.
         O que vocês acharam dos pais de Hannah? 
    Eu achei pais normais, presentes. Agora, por que, mesmo tendo pais assim, ela não conseguiu pedir ajuda? E os pais de Clay, que sabiam que alguma coisa estranha estava acontecendo e chegaram até a verbalizar isso? E os pais de Jéssica?
     Achei interessante a série colocar pais presentes e, de certa forma bons, para os personagens centrais. Ter pais presentes não significa que o filho ou filha está isento de cometer suicídio ou ser estuprada em seu próprio quarto. Quando Jéssica diz ao pai "aconteceu uma coisa comigo", eu literalmente desmanchei. Ter a coragem de dizer essa frase não é fácil, o medo de ser julgada por quem nos ama pode ser avassalador, e o silêncio pode ser a escolha mais "confortável".
     Voltando à primeira pergunta, não sei se existe uma resposta exata, mas a vergonha e a culpa podem ser respostas aceitáveis. Infelizmente, a nossa sociedade ainda culpa a vítima por ter sofrido violência, e não digo nem a sexual, quantas histórias ouvimos assim "foi assaltado... mas por que você deixou o celular em cima da mesa do restaurante? ou como você deixou seu carro naquela rua tarde da noite? Você  não sabe que não se deve andar com a mochila nas costas em ônibus?" 
    "Com certeza você estava pedindo para ser assaltado! Pedindo para ser estuprada!"
     É triste pensar isso... será que Hannah pensou?
     Levar embora um celular, um carro que não é seu, é crime. Tocar no corpo de alguém sem a permissão da pessoa também é crime, não importa a situação.
     O grande erro da escola, para mim, foi escancarado na figura do senhor Porter. Difícil ser conselheiro, eu entendo, na conversa com Hannah ele começou bem, porém as duas opções que ele deu a ela foram difíceis de engolir: "Ou denuncia ou você segue com a sua vida?"
     Acredito que Sr. Porter representa muitos profissionais que são mal-instruídos acerca das questões ligadas à violência. Me recordei de um fato que aconteceu comigo há uns 11, 12 anos. Uma colega de profissão me contou que uma garota de uns 15 anos tinha relatado a ela que o pai a estuprava constantemente; ela disse que a menina deveria denunciar, a garota respondeu que tinha contado para a diretora da escola. Sabe o que a escola fez? Chamou o pai da menina para conversar; ele negou tudo de maneira tão convincente que a escola encerrou o caso. Sabe o que aconteceu com a menina quando ela chegou em casa? Adivinhem... foi violentada novamente.
     Bom, essa minha colega não denunciou o caso, me disse que o local era uma favela, e ela tinha que trabalhar, tinha medo de denunciar e ser morta em alguma viela. Eu me lembro de ficar transtornada com essa história e dizer a ela: "Denuncie e morra com dignidade!"
        Quem tem o dever de proteger está mesmo protegendo? Quantos profissionais chamam o agressor para uma conversa em vez de acreditar na vítima? 
     Fiz um curso de violência infantil há muitos anos, e a orientação era a seguinte: se a criança relatar uma situação de violência, denuncie! Coloque sob proteção. Depois, com inquérito, a história vai ser verificada, se é verdade ou mentira, depois será investigado. A primeira coisa a se fazer é acreditar na vítima, pois muitas crianças não são protegidas por este motivo, são desacreditadas em sua palavra.
         Vamos falar sobre Hannah Baker.
     Eu me lembro de que na minha adolescência senti algumas vezes uma imensa solidão, não sei explicar exatamente, mas me lembro de me agarrar às amizades, mesmo que não fossem amizades tão legais, pelo simples fato de não querer ficar sozinha. Vi a Hannah fazer isso algumas vezes no decorrer dos episódios, se colocar em situações para se sentir parte de alguma coisa, tanto que várias vezes ela mesma diz: "Eu não deveria ter ido na festa, não deveria estar aqui". A intimidade dela foi exposta tantas vezes, fosse por meio de comentários, imagens, pela violação de seu corpo ou até pelos pensamentos divulgados sem sua autorização em uma revista da escola. Em quem acreditar? Em quem confiar?
     Quando muitas coisas ruins acontecem e se está fragilizado, é possível que se acredite que a causa dos problemas está em si, e a única maneira de colocar um fim a tantas coisas ruins, é acabando com a causa, ou seja, consigo mesmo. Interessante é que quando Hannah rabisca em um papel, querendo entender por que tudo aconteceu com ela, chega a todos os nomes, a todas as razões, ela diz sentir um alívio, uma vontade de viver. Isso se deve ao fato de ela conseguir visualizar que outras pessoas colaboraram para que ela estivesse em sofrimento. Se eu pudesse encontrar Hannah Baker diria, repetidas vezes, a culpa não é sua!
       Hannah também foi grossa com alguns de seus colegas, cabe pensar por que ela começou a agir assim. 
    Escrevo aqui uma "provocação", apesar das inúmeras razões que Hannah utiliza para justificar o suicídio, ela talvez se esqueceu de colocar uma pessoa, ela mesma! Digo isso porque eu mesma pensei sobre mim, sendo eu, do chamado grupo dos "sobreviventes de si mesmo". Com certeza, uma das razões, talvez a primeira da fita, seria eu mesma. Podemos fugir de tudo o que se possa imaginar, se trancar em um quarto e não ver mais ninguém, mas não se pode fugir de si mesmo, da própria consciência e da raiva que se sente quando não conseguimos agir ou tomar alguma atitude positiva. Nos transformamos em nosso próprio agressor, no nosso próprio assassino. É duro conviver com quem nos deseja mal, ou seja, conosco mesmo.
        Gostaria muito de encerrar com Clay, ao lado de Hannah, foi o outro grande protagonista. Enquanto Tony, às vezes, o apressava a ouvir as fitas, Clay foi o mais saudável do grupo. Ele não conseguia "seguir em frente" como os outros estavam fazendo, preocupados com a suas referências para entrar na faculdade, com frases "A Hannah morreu e não se pode fazer mais nada". Clay literalmente surtou, e com razão, era pesado demais, pesado demais para continuar vivendo a vida como antes. Clay era alguém diferente, pois não fazia questão de estar em grupos; podemos dizer que havia uma autenticidade, apesar da pouca idade. Ele começa a fazer coisas, ser justiceiro e, de certa forma, presta apoio à Jéssica, grava a fita denunciando Bryce. Move uma energia e age de um modo que, ao final, vários personagens passam a contar a verdade quando intimados.
        Após Clay entregar as fitas para o senhor Porter e contar sobre Hannah, ao sair da sala do conselheiro, diz:

"AS COISAS PRECISAM MELHORAR, PRECISAMOS MELHORAR A FORMA COMO CUIDAMOS UNS DOS OUTROS."

            Me permitam ser repetitiva:

    "As coisas precisam melhorar, precisamos melhorar a forma como cuidamos uns dos outros."
     "As coisas precisam melhorar, precisamos melhorar a forma como cuidamos uns dos outros."
     "As coisas precisam melhorar, precisamos melhorar a forma como cuidamos uns dos outros."
   

     Quando uma pessoa comete suicídio, segundo pesquisas recentes, no mínimo cinco pessoas próximas são atingidas e, possivelmente, vão precisar de tratamento psicológico. Assim, conseguimos identificar o impacto da morte de Hannah em muitos personagens. Podemos até afirmar que todos eles precisariam passar por tratamento psicológico. Ao final da série, isso é escancarado com a tentativa de suicídio de Alex.
              Vocês assistiram ao documentário que tem quando terminam os episódios? Assistam, vale a pena. 
     Entendi o porquê de ter cenas tão fortes, hoje aceito que cenas fortes produzem efeitos, passa a ser mais claro o sentimento da vítima, o pensamento do agressor. Mas ainda acredito que a cena de suicídio deveria ter sido filmada de outra maneira, aquilo é uma perigosa aula de como se matar. Se a série consultasse especialistas em suicídio, essa cena com certeza não existiria.
     O desespero dos pais quando encontram Hannah já é por demais avassalador, somente essa cena seria o suficiente.

      Mesmo escrevendo tanto, não dei conta de falar de todos os personagens. Mas novamente recomendo: é boa série para assistir, gerar discussões; eu, portanto, recomendo.

 Destaco, entretanto, alguns cuidados que se podem ter:
- Não assista sozinho, convide um amigo, seus pais e converse ao final de cada episódio;
- Não faça maratona da série. Ela precisa ser assistida aos poucos, muitas cenas podem estar mexendo com você, apesar de você acreditar que não;
- Se você sofreu ou sofre bullying, violência sexual ou pensa em suicídio, por favor, não assista à série sozinho, lembre-se de que os personagens são fictícios. A arte, mais especificamente o cinema, tem sempre o objetivo de nos sensibilizar de alguma forma, e a finalidade, segundo o documentário da série, é exatamente a de fazer que quem precisa de ajuda se sinta encorajado a pedi-la.
 - Você não precisa assistir a todas as cenas se não tiver vontade, não se force a assistir e a sofrer sem necessidade. Cenas com conteúdos violentos podem ser gatilho para que você se deprima mais ou pense em suicídio.

       Se você conhece alguém que pensa em suicídio. Saiba que há formas de buscar tratamento:

     - Busque apoio de amigos e familiares, conte o que está acontecendo;
      - Busque tratamento psicológico e psiquiátrico. Busque o CAPS  (Centro de Atenção Psicossocial) de seu bairro para uma orientação com um profissional de saúde especializado, procure tratamento nas faculdades de Psicologia.
     - No Brasil, existe uma linha telefônica por meio da qual você pode pedir orientação 24h por dia. Esse trabalho é desenvolvido pelo CVV (Centro de Valorização da Vida). Disque 141 e converse anonimamente com algum voluntário, ou entre no site www.cvv.org.br e converse pelo chat.
     - Em casos graves: não deixe a pessoa sozinha, esconda facas, remédios, cordas etc. Internação sem o consentimento da pessoa é uma maneira de evitar que ela cometa suicídio.
         
         Não julguem um suicídio! Suicídio é ato de desespero!

   "AS COISAS PRECISAM MELHORAR, PRECISAMOS MELHORAR A FORMA COMO CUIDAMOS UNS DOS OUTROS"




        



            
      


      
       

2 comentários:

  1. Ju, ótimo post! Confesso que me deu mais coragem para assistir a série, só preciso de uma companhia...
    Precisamos conversar, precisamos parar de nos esconder, "AS COISAS PRECISAM MELHORAR, PRECISAMOS MELHORAR A FORMA COMO CUIDAMOS UNS DOS OUTROS"

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    1. Que bom Carol, mas lembre-se das recomendações! Precisamos muito melhorar a forma como cuidamos uns dos outros! Abs!

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